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Sua intenção explícita era “mover o mundo em certa direção, modificar a ideia que as pessoas têm sobre o tipo de sociedade que deveriam almejar”. No que me diz respeito, ele certamente foi bem- sucedido. E desconfio que poucos autores moldaram as concepções de seus leitores na mesma medida em que Orwell o fez. George Orwell entrou na minha vida em 1964, quando eu estava no quarto ano do ensino fundamental, na Sloane Grammar School. O professor de inglês, o sr. Carlen, decidiu que todos nós, da classe 4Y, leríamos juntos A revolução dos bichos . Ainda que eu fosse um bom leitor, devorando tudo o que caía em minhas mãos, nunca tinha ouvido falar de Orwell. Então, nós, meninos domados pela autoridade natural do sr. Carlen, nos revezamos para ler em voz alta o único exemplar, que passava de uma carteira de madeira a outra. A revolução dos bichos exerceu sobre mim um fascínio do qual nunca me livrei. Ainda que fosse uma leitura cativante sobre animais que assumem o controle de uma granja, duvido que teríamos reparado no subtexto sem as explicações do sr. Carlen. Com isso, ele não só revelou a engenhosidade do livro, como proporcionou aos meninos da 4Y uma perspectiva do mundo adulto em que estávamos crescendo: um mundo no qual nada menos que um terço da população vivia sob o comunismo. Outro jovem professor da Sloane, o sr. Pallai, havia escapado da Hungria quando os tanques russos entraram no país. Ele nos ensinava história e economia, ocasionalmente divagando sobre a perversidade do regime de partido único. Dois anos antes de a minha classe ler A revolução dos bichos , a Crise dos Mísseis em Cuba havia ameaçado a nossa sobrevivência, com os Estados Unidos e a União Soviética considerando a possibilidade de uma destruição nuclear mútua. Publicada quase duas décadas antes de sermos apresentados a ela pelo sr. Carlin, a alegoria de A revolução dos bichos continuava relevante. A obra de Orwell trazia clareza e ajudava a entender os tempos sombrios e perigosos em que vivíamos. Quanto mais lia daquele autor, mais eu me impressionava com a honestidade brutal que ele se impunha ao escrever. Sem lançar mão da virtude espúria da coerência, como faz a maioria de nós, as concepções que sustentou na juventude eram bem diversas daquelas que adotou ao chegar à maturidade. Ele era um pensador político que jamais teve medo de adaptar suas ideias às novas circunstâncias, em vez de tentar submeter tais desenvolvimentos à rigidez de seu pensamento. Autoproclamado anarquista conservador quando jovem, mais tarde se associou ao Partido Trabalhista Independente, que estava à esquerda do Partido Trabalhista, apenas para, logo em seguida, repudiar todas as razões que o haviam levado a tomar essa decisão. Quando foi lutar na Espanha, não se alistou na Brigada Internacional, à qual se juntaram quase